Espiritualidade com
Frei Bernardo

Vida Cristã Vivida
No documento do Concílio Vaticano II “Lumem
Gentium”, no Capítulo V, a Igreja propõe a Vocação
Universal à santidade. “Esta é a vontade de Deus:
a vossa santificação” (Ef 1,4). Ora, a santidade
só é possível pelos caminhos da Espiritualidade.
Esta, é um estilo ou modo de viver a vida cristã no cotidiano.
Vida em Cristo e no Espírito, acolhida pela fé, manifestada
no amor e vivida na esperança dentro da comunidade eclesial.
Espiritualidade Franciscana
Dentro dessa vocação Universal à
santidade há vários caminhos ou espiritualidade, maneiras
para viver a única espiritualidade cristã. Nós
herdamos de São Francisco e Santa Clara
uma experiência mística, um estilo singular no modo de
se relacionar com Deus-Trindade, com o próximo, como o mundo,
com as criaturas. São Francisco lembra no seu Testamento espiritual:
“Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar
uma vida de penitência”. Esse caminho penitencial de conversão
que São Francisco perfaz, seguido por Santa Clara, abrange toda
a vida, em diversas etapas progressivas. É a trajetória
da graça em sua vida. Essa experiência Francisclariana
de fidelidade à graça nos provoca a tentarmos, também,
este modelo de espiritualidade para respondermos à vocação
da santidade cristã.
A espiritualidade acontece na vida, no cotidiano e
se processa em diversas etapas, como podemos observar em vários
momentos da vida de São Francisco e Santa Clara:
Encontro Consigo Mesmo
No fracasso dos projetos pessoais egocêntricos.
(Frustração, derrota, doença, prisão em
Perúgia).
Despojamento de Si Mesmo –
Pai Nosso
A busca de outros caminhos. Novos sonhos, novos valores
para a sua volta. É o êxodo e a purificação
de sua vida mundana, através da solidão, deserto, oração
intensa para chegar a um encontro mais sério e profundo com Cristo
Senhor. Aprende a ter menos para ser mais: pobre com os pobres. O Cristo
de São Damião agora lhe propõe uma missão:
“vai reconstrói a minha Igreja.”
Descobre a Força do Amor
No encontro com o leproso, este se torna mediação
da graça divina, sacramento do Amor de Deus-Pai, que nos torna
filhos e irmãos, no sofrimento de seu Filho e de sua pobre Mãe-Maria.
No abraço do leproso S. Francisco encontra o Cristo-irmão
na cruz, bem como o Homem-Irmão, crucificado como Cristo, pelo
sofrimento. É a descoberta do Outro, da Fraternidade: “Vós
todos sois irmãos” (Mt 23,8), na solidariedade com o Cristo
crucificado, feito nosso irmão na dor, e irmanando a todos como
filhos queridos no Amor infinito de Deus-Pai.
Pela fé, pelo amor vai reconstruir o Homem e o mundo, fragilizados
pelo mal, pelo egoísmo, abrindo espaço para acolher a
Paz, ser instrumento da Paz do Cristo.
Encontro com o Evangelho
São Francisco no Evangelho, Cristo Palavra do
Pai, encontra a Igreja missionária, sacramento de salvação.
Na fidelidade à Mãe Igreja, coloca-se à disposição
para ajudá-la na evangelização pela vida santa
e penitencial, partilhada com os irmãos que a ele se vão
juntando no mesmo ideal. Esta vivencia apostólica, pobre e fraterna
na Igreja, é alimentada e fortalecida em sua comunhão,
pela palavra santa (“a vida e a Regra dos Irmãos é
viver o Evangelho”), pela oração contemplativa constante
e ativa, mas sobretudo pela presença sacramental do Cristo-Irmão
na EUCARISTIA, núcleo e razão da vida
espiritual na Fraternidade Franciscana.
Conclusão
Neste itinerário espiritual franciscano nos
aproximamos, com Cristo, do trono da graça, “o Deus Altíssimo”,
o Sumo Bem, o Ünico Bem, Trindade Santa de quem procedem todos
os bens e a quem devemos, com todas as criaturas do universo, todo louvor
e ação de graças.
A Espiritualidade Franciscana tem, então, sua fonte na Trindade
Deus- Pai, em Jesus-Cristo-irmão na Encarnação
(humildade/ inserção), na cruz (Amor sem medida/ Ressurreição
– Vida), na EUCARISTIA (pobreza, unidade fraterna
e eclesial) escola de amor, solidariedade e Paz.
É o caminho penitencial da simplicidade. Da vida, da santidade.
É a ESPIRITUALIDADE do Conhecer, Amar e agir.
Peregrinos permanentes no caminho da penitência.